Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

                      Álvaro de Campos

publicado por pxipiteka às 14:15
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30 de Março de 2020

Hoje o dia passou tão rápido que nem me apercebi do passar das horas. Quando se faz o que se gosta realmente não se dá pelo passar do tempo.

Faz três anos que iniciei o trabalho em lares de idosos, parece que estas pessoas ganharam uma nova vida, e eu confesso que também me sinto uma pessoa diferente, cada sorriso seu, cada brincadeira faz-me sentir útil. Quando comecei senti medo de não conseguir cativa-los, tive receio de estar a fazer a escolha errada, mas agora tenho a certeza que estou no caminho certo, no meu caminho. Não queria que estas pessoas tivessem um fim de vida triste, e estou a consegui-lo e ainda aprendo tanta coisa com eles, mais do que lhes ensino, com eles aprendi o que é a escola da vida.

O sol hoje fez com que fossemos todos para o jardim, são os atletas aqueles amigos, sim eu trato-os assim, de amigos, fazemos tantas brincadeiras que mais parecemos crianças na pré-escola, hoje dei-lhes mais uma aula de hip-hop, e diga-se de passagem que dançam com miúdos de bairro, sem ofensa. No próximo mês espero estar pronta para apostar em danças mais atrevidas, sim porque uma das senhoras, daquelas cujo espírito parecem mais novas que eu, desvendou-me hoje o mistério da recolha de assinaturas que por ali circulava. A atrevida andou a recolher assinaturas para terem aulas de dança do ventre, e eu que não percebo nada daquilo ri-me imenso quando me entregou o monte de folhas, julguei ser uma brincadeira, mas estavam a falar muito a sério. Conclusão não resisti e aceitei o desafio, e vou fazer durante este mês especialização em danças do ventre para depois darmos inicio ás aulas, e é melhor me ir preparando porque eles a qualquer momento voltam a surpreender-me. Mas eu confesso que adoro os desafios que me colocam.

Começo amanhã a dar formação à noite na área da gerontologia social, vai ser difícil conciliar com as aulas de salsa e a pintura já teve que passar para os fins-de-semana. Tenho a agenda toda preenchida mas só assim me sinto bem, parece que quando não estou cheia de trabalho sinto um vazio enorme dentro de mim, mas nestes dias sinto o cansaço a apertar.

Ainda bem que já terminei o doutoramento, foi mais um objectivo atingido, sinto-me realizada. De facto é bom dizer isto, quantas pessoas gostavam de o dizer, devo ser uma sortuda, faço o que gosto e cada dia que passa tenho mais certezas de que sou feliz com as minhas escolhas.

Antes do jantar, passei pela casa da minha irmã, após ter recebido um telefonema seu a dizer que precisava de falar comigo. Aproveitei para ver a minha sobrinha, está tão crescida e reguila, caminha entre nós, entre quedas e choros percorre todo o espaço, tem uns olhos grandes de um azul tão límpido que por mais disparates que faça não consigo chatear-me com ela. Ao olhar para ela penso como vai ficar contente ao descobrir que terá um primo com quem brincar, sim porque a Mila queria falar comigo sobre o processo de adopção do Simão, segundo ela falta pouco até que o meu menino venha finalmente viver comigo.

O Simão entrou na minha vida há dois anos, quando chegou ao orfanato eu estava a fazer voluntariado e ele era tão pequenino que parecia recém-nascido, mas tinha já 3 meses, desde aquele dia senti que era a peça que faltava na minha vida, e nunca mais o abandonei, já fala e trata-me por mãe sem nunca lhe ter ensinado a chamar-me dessa forma, e agora a minha irmã diz-me que me vai ser entregue no prazo máximo de dois meses. Chorei de alegria ao ouvir tal comunicação, a minha sobrinha abraçou-me, a pequenita julgou que estava triste, mas as lágrimas são de alegria, uma alegria que não consigo explicar.

Desde que nos conhecemos que o visito diariamente, aliás estive com ele antes de passar pela casa da minha irmã, sem nunca imaginar tal notícia. Trocamos carícias, fizemos desenhos juntos e brincamos, adormeceu nos meus braços, parecia um anjo, estava exausto de tanta brincadeira o meu amor.

O meu Simão vai mesmo ser meu filho, eu já o sentia como tal, mas agora é oficial, os seus olhos esverdeados naquele rosto pequeno e mulato, são agora a minha essência.

Foi um dia fantástico, acho que nem vou conseguir dormir com tanta excitação.

 

publicado por pxipiteka às 14:09
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Lembrado como um país de glórias e de feitos ilustres, Portugal deixa para trás as memórias magnificentes de outrora e é hoje um país saudosista, envelhecido e triste.

Situado na calda da Europa, Portugal é mundialmente um país com fraca importância económica e  social, ainda assim vários são os filhos de Portugal cujo reconhecimento é majestoso. Rico em património histórico e cultural , e criador de grandes cérebros, tudo tem para se tornar numa potência mundial . Mas falta somente o indispensável, os governantes, o poder, as pessoas, as mentalidades que orientem Portugal no caminho para o progresso.

Actualmente atravessa uma situação de crise económica, social e cultural, onde a hipocrisia reina. Perante a lei todos são iguais, mas neste país são elites quem comanda a seu belo proveito.

Nos meios de comunicação personalidades evidenciam elevados níveis de vida enquanto o povo trabalha calado sem que a sua voz seja ouvida. Escravos das massas e sacrificados pelos erros dos “grandes”, os lusitanos são actualmente um povo tradicionalista e sem garra.

Séculos volvidos e as mentalidades permanecem em tempo remotos, sem que a evolução tecnológica e industrial as afecte. Com medo de voar por outros céus os portugueses habituam-se à mediocridade deste país capitalista e tendem em não apostar em aventuras.

No entanto este é também o país que muitos amam, ladeado de belas praias e de mares deslumbrardes cujo beleza e serenidade conquistam o olhar de multidões. Povo simpático e hospitaleiro, ainda que com vontade de chorar pela vida que leva saúda os viajantes com o seu sorriso sedutor.

Em suma Portugal é hoje um país cada vez mais vazio, pobre, inculto onde muitos não vivem, mas sobrevivem.

publicado por pxipiteka às 14:08
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Um homem

 

        Um careca

 

               Um encanto

 

                        Um lutador

 

                                Um olhar

    

                                        Um animador

 

                                                       Um tudo

 

 

Uma utopia

sinto-me: Com raiva de mim mesma
publicado por pxipiteka às 13:09
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publicado por pxipiteka às 13:06
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“Ao longo da vida, a tendência é para as pessoas passarem cada vez mais tempo sozinhas e fechadas dentro das suas casas, transformadas em verdadeiras “torres de marfim”. A maneira como se acumulam bens físicos e se procura melhorar os espaços domésticos reflecte um cada vez maior alheamento em relação ao espaço público colectivo, que raramente é pensado como um bem comum.” Exame nacional

 

 

Actualmente a sociedade encontra-se absorvida pelo materialismo excessivo, sendo o isolamento uma realidade. Com efeito a espaço público e as relações colectivas são praticamente aniquiladas, a preocupação assenta em cada indivíduo isoladamente, apenas o seu bem-estar e qualidade de vida o preocupam.

Como se pode ver a sociedade de hoje está completamente obcecada com as novas tecnologias, sendo a difusão da internet um exemplo dessa obsessão. Este exemplo ainda que tenha um leque enorme de vantagens, mesmo a nível de facilidade de comunicação, sabe-se que esta comunicação não é autêntica. A realidade é que as pessoas fecham-se nas suas casas e não se relacionam verdadeiramente, isolam-se no seu mundo e muitos são os problemas que podem surgir desta nova realidade.

Veja-se a prática habitual de muitos portugueses de se deslocarem a fim de beber café com os seus amigos, um pequeno acto que permite a socialização . No entanto a grande maioria das pessoas hoje possui em casa uma moderna máquina de café e as saídas diminuem. Como este exemplo existem inúmeros, os computadores permitem a realização de compras sem deslocações das pessoas às respectivas lojas. Assim sendo existe apenas a preocupação de comprar mais ferramentas para tornar a vida das pessoas mais facilitada.

Do mesmo modo as pessoas vão envelhecendo e o isolamento vai-se tornando mais catastrófico. As pessoas não se preocupam com os demais, sendo que por vezes desconhecem o seu vizinho do lado e quantas vezes estes morrem isolados sem que ninguém se aperceba da sua ausência, tudo isto porque as pessoas vivem cada vez mais sozinhas, não existem socialização. Cada um vive a sua vida sem se preocupar com os que o rodeiam, e este é o grande problema da actualidade.

Portanto é necessário ter consciência de que melhorar a qualidade de vida não se prende somente com a aposta na habitação mas também com a preocupação pelos outros e pela relação com estes. A verdadeira comunicação traz mais vantagens e saberes do que se possa imaginar. É necessário agir numa mudança.

publicado por pxipiteka às 12:37
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Nada Fica de Nada

Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
                   Ricardo Reis, in "Odes"

publicado por pxipiteka às 12:18
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A infelicidade é um sentimento bastante subjectivo, tal como todos os demais sentimentos. As mesmas situações transmitem sentimentos opostos a pessoas diferentes. Pessoalmente existem uma serie de situações que me deixam triste, no entanto apesar de tudo sou feliz.

Mas faz me infeliz acordar de manhã num dia de inverno, sentir o frio arrepiar o meu corpo, espreitar pela janela e ver o dia escuro e triste. Este cenário traz me à memoria a desgraça das pessoas, a miséria, a fome, a destruição, o preconceito, a corrupção, a morte, a guerra, as desigualdades. O sofrimento de uma criança que chora por não ter nada que comer há dias. E ao reflectir sobre isto sinto me ainda mais triste por não poder fazer rigorosamente nada. Nesta sociedade capitalista onde nos deprimimos por não ter uns sapatos da ultima tendência para fazer conjunto com as calças iguais à actriz da novela da noite, faz me infeliz ter a noção de que nos queixamos por ter tudo e não ajudamos os que não tem nada e permanecem em silêncio.

Entristece-me saber que sou uma gota neste oceano. Entristece-me ser insignificante, ser mortal, ser esquecida, não marcar a diferença, não deixar a minha pegada. Tudo isto faz-me infeliz. Mas como posso ficar infeliz por ter consciência de tudo isto e não fazer nada se aqueles de que falo são felizes? Bem, nesse caso sou infeliz por não ser como os que julgo infelizes, que não tem nada e sorriem, afinal eles são felizes. Não tem roupa e correm livremente enquanto nós estamos presos a estereótipos que de nada falem. Não tem trabalho e lutam por arranjar comida para as suas famílias e nós não damos valor nem à comida, nem à família e muito menos ao trabalho.

Em suma faz me infeliz não transmitir alegria, não distribuir gratuitamente abraços, carinhos, palavras amigas aos que as tanto apreciam. Faz infeliz descobrir a fórmula para ser feliz e não fazer uso dela, por isso vou simplesmente viver e ser feliz como aprendi. Ser feliz sendo simplesmente eu sem pensar no que me faz infeliz.

publicado por pxipiteka às 11:57
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Actualmente, as relações humanas estão a perder importância e os bens materiais estão a ganhar terreno. Está instalado um consumismo exagerado, que põe de lado a importância dos verdadeiros relacionamentos e cria dificuldades de comunicação entre as pessoas.

Na verdade, é na infância que são estabelecidas as bases para a criação de um adulto saudável e responsável, que sem a convivência com os outros dificilmente conseguirá crescer. O ser humano necessita de um processo de aprendizagem, no qual lhe são incutidos valores e crenças, sem as quais não se consegue distinguir das demais espécies.

Do mesmo modo que, crianças privadas de socialização, as conhecidas crianças-selvagens, não desenvolvem as suas capacidades enquanto ser humano, e por tal se tornam “selvagens”, também as crianças de hoje sofreram consequências pelo seu isolamento e perderam qualidades. As relações de inter-ajuda estão a desaparecer, o individualismo e egocentrismo estão a aumentar monstruosamente, estão a criar-se “criaturas maléficas” com características desumanas, cujo seu interesse apenas se resume ao carácter monetário e consumistas. Sendo estes os valores transmitidos às crianças.

Evidentemente, que a privação das crianças de brincarem na rua, de jogar em grupos, de criar amizades, de rir e de chorar com os outros, alegando que são perigosas todas estas práticas, são atitudes que mascaram para sempre as crianças. Vejam-se as crianças que vivem em pequenos meios, onde as relações humanas têm maior relevância e muitas das “novas brincadeiras” ainda não ganharam protagonismo, ai verifica-se uma maior felicidade e humildade.

  Note-se que, a evolução tecnocientífica que a sociedade está atravessar é bastante importante, e não deve ser posta de parte, no entanto, é necessário existir um meio-termo, medindo bem o que se está a oferecer às crianças e não esquecendo que estas serão o futuro.

Portanto, as crianças precisam de brincar em grupo, de aprender a realidade que os rodeia, de que existem pessoas boas e más, dificuldades que as fazem chorar e amigos que as fazem rir. O proteccionismo, o dar tudo o que é de mais avançado às crianças não é suficiente, muito pelo contrário, pode ser bastante prejudicial.

publicado por pxipiteka às 11:42
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Segunda-feira, 09 de Novembro de 2009

hoje foi mais um dia, levantei m novamente por obrigação e sem vontade nenhuma.

Lá fora o dia nascia devagar, e o frio de outono já se sente ao sair da cama.

Vesti-me rápidamente, e a minha querida mami foi levar ao á paragem para seguir para a escola.

Felizmente é o ultimo ano, aqui nesta vila deserta. Em meu redor, apenas crianças ...

Estou farte disto, desta calma, destas pessoas, deste clima.

Quro sair daqui á descoberta. Quero errar, chorar de saudades, sentir-me sozinha e desamparada, ser responsavel pelos meus actos, quero crescer com tudo isto  ser feliz

O que não significa que aqui não seja, mas preciso de dar este salto.

O dia hoje foi curto e regressei da escola cedo, pelo que ainda almoçei com as minhas pérolas, agr posso descansar a tarde toda e fazer qualquer coisa de util para a sociedade lool

 

 

PXiPiTeKa

sinto-me: frágil
publicado por pxipiteka às 15:13
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Um encanto...Vai lá ver o Gerad Butler...OMG, ser...
sim titi um génio de facto,é pena n existirem mais...
este homem é mesmo um verdadeiro génio'Pedir mais ...
Está maravilhosa esta campanha =DTiti*
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